sexta-feira, 7 de maio de 2010
Excassez de engenheiros? Formandos de 1980 viram o Brasil ficar 30 anos sem se desenvolver
Antes da turma de 1980 entrar na Poli, o País vivia o "Brasil Grande". Eles viram o Estado falir e falam da retomada da profissão
iG Economia
Eles viveram o fim do "Brasil Grande", a falência do Estado e o descontrole da inflação. Três décadas depois, os formandos da turma de 1980 da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), uma das mais antigas e tradicionais faculdades do País, veem a profissão de engenheiro civil ser revalorizada. Clique abaixo para conhecer algumas histórias:
A profissão está atraindo novamente as melhores cabeças", diz o politécnico Mário Rocha Neto, um dos integrantes da turma de 1980. Fiel à engenharia civil nos últimos 30 anos, Rocha Neto pode falar com segurança sobre o assunto à frente de uma das superintendências da Gafisa, uma das maiores construtoras do País, na qual ingressou como estagiário em 1978.
Segundo Rocha Neto, a Gafisa absorve 450 estagiários por ano, e seu programa de trainee atrai 12 mil jovens, dos quais 20 ingressam nos programas da construtora. “Hoje, administramos 350 obras em todo o País", diz. "Há cinco anos, eram 30. A engenharia continuará crescendo nas próximas décadas.”
Da Escola Politécnica, criada em 1893, saiu boa parte da elite paulista. Entre eles, os empresários Olavo Setúbal (Banco Itaú), Rubens Ometto (da usina de açúcar e álcool Cosan) e Laércio Cosentino (da empresa de informática Totvs), além de políticos como Mário Covas, Paulo Maluf e José Serra (que não concluiu o curso).
Quando os garotos e garotas da turma de 1980, em sua maioria bons alunos de matemática e física, fizeram a escolha pela engenharia meia década antes, o Brasil vivia o milagre econômico: hidrelétricas eram construídas, pontes erguidas e rodovias rasgavam os confins do Brasil.
Foto: Arquivo
Os amigos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP): Carlos Alexandrino, Artur Pesce, Carlos Jahara, Aurélio Falcon, Caetano Zani e Cláudio Kleine
Ao deixarem a Escola Politécnica, encontraram um Brasil em plena ressaca: viveram momentos de penúria na engenharia. "Foi o ano da crise fiscal. O governo, que era o grande cliente, quebrou", diz Antonio Sérgio Conte, engenheiro civil, que largou o emprego numa construtora nos anos de 1980 para abrir a própria empresa de consultoria em planejamento.
Engenheiros em formação
O cenário, agora, é bem diferente. A demanda por engenheiros está em alta. Neste ano, 50 mil jovens devem sair das faculdades de engenharia, o dobro do que o Brasil formava há dez anos. Segundo estudo do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea), quase 1 milhão de novos engenheiros vestirão beca e pegarão o canudo até 2022.
"O engenheiro sai mais bem preparado do que acontecia em nossa geração", diz Carlos Alexandrino, outro politécnico de 1980, dono de uma construtora de porte médio em Campinas, no interior de São Paulo. "Hoje, os computadores fazem boa parte do trabalho de cálculo com mais rapidez e precisão."
Não basta, contudo, apenas o diploma. Os alunos mais destacados da Escola Politécnica também se aperfeiçoaram em outras áreas, com pós-graduação em administração ou cursos de especialização, como formação de lideranças.
Outros buscaram a especialização. Uma das raras mulheres em um ambiente predominantemente masculino (situação que mudou bastante nos últimos 30 anos), Gisela Coelho demorou sete anos para entrar na engenharia e acabou se debruçando sobre a área ambiental. “Ninguém falava em sustentabilidade naquela época. Hoje essa exigência é fundamental.”
Escassez de mão-de-obra?
Apesar da mudança da qualidade e da quantidade de engenheiros formados, há risco de escassez destes profissionais daqui pela frente - um apagão de mão-de-obra que poderá comprometer o crescimento brasileiro, sugerem especialistas.
Comparativamente com outras nações em desenvolvimento, o Brasil forma poucos engenheiros. A Coreia do Sul, com uma população quase três vezes menor do que a brasileira, fornece mais de 80 mil engenheiros por ano no mercado de trabalho.
No estudo "Escassez de engenheiros: realmente um risco?", publicado em fevereiro, o Ipea conclui que o Brasil poderá precisar de 2,4 milhões de engenheiros até 2022 se o PIB crescer 5%.
Se houver uma aceleração forte da economia, a situação se agravará. No cenário mais otimista de crescimento, de 7%, a demanda por engenheiros poderá aumentar para 3,9 milhões, projeta o Ipea.
Hoje, existem 750 mil engenheiros formados no Brasil, mas apenas pouco mais de 200 mil atuam diretamente na área. Meio milhão de engenheiros estão fora de sua carreira - migraram para o setor financeiro, prestaram concurso público ou exercem atividades bem longe da formação original.
"A gente ganhava muito pouco. Muitos foram para o mercado financeiro", diz Carlos Alberto Jahara, outro aluno da Poli, que trabalhou por 15 anos em informática, antes de voltar à engenharia há três anos.
Para atacar o problema e fazer com que eles voltem à profissão, os pesquisadores do Ipea concluíram que a situação exige maior investimento na formação e cargos e salários mais altos aos profissionais do mercado, a ponto de não só reter mas também atrair os que abandonaram a profissão.
"Não é fácil essa readaptação à engenharia", admite Jahara. Ele juntou sua experiência em informática ao aprendizado de engenharia. "Hoje, desenvolvo software para controlar à distância os custos de inúmeras obras de engenharia civis."
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O Risco das usinas a fio d´água
DAYANA AQUINO
Da Redação - Agência Dinheiro Vivo
Nos últimos anos a preocupação com o impacto ambiental dos projetos hidrelétricos têm impulsionado cada vez mais o uso da modalidade a fio d’água, que diferem dos projetos hidrelétricos com enormes áreas alagadas por aproveitarem a vazão do rio, não utilizando reservatórios ou os reduzindo significativamente. Por essa característica, a modalidade é defendida até por alguns grupos ambientalistas.
O menor impacto ambiental, no entanto, não pode ser o único motivo para incentivar a instalação de uma usina a fio d’água, principalmente nos projetos de grande porte, consideram especialistas. Na prática, reduzir o
tamanho do reservatório significa reduzir a energia armazenada, uma vez que no período de chuvas os grandes reservatórios acumulam água para geração posterior. Em períodos de estiagem, o trabalho é inverso: o Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) determina a entrada em operação a pleno vapor de fontes complementares, as térmicas.
Nessa conta, soma-se o encarecimento do sistema, já que a geração térmica é mais onerosa e necessita de operação contínua, em patamar de carga reduzido para sua manutenção, conforme explica o diretor de Engenharia da Eletrosul, Ronaldo Custódio.
O risco é de os projetos de grande porte engatarem na onda dos reservatórios pequenos, que podem trazer custos futuros. Além da preocupação climática no longo prazo, oscilações e estiagens não são tão incomuns no Brasil. No curto prazo, o risco maior não é com o desabastecimento, e sim com o custo ambiental e as tarifas ao consumidor. Segundo Custódio, algumas usinas com aptidão para grandes reservatórios estão sendo projetadas como fio d’água.
Custódio diz que a falta de reservas de energia sempre torna necessário o acionamento de outras fontes para a complementaridade. Embora a preocupação ambiental esteja tomando novos contornos e apresentando uma nova ótica de infraestrutura, Custódio considera que o impacto de uma hidrelétrica é local, mas a operação de uma térmica e sua conseqüente emissão de gases poluentes acaba gerando um impacto muito maior. ( clique aqui para ler a íntegra )
domingo, 10 de janeiro de 2010
Plástico e sua História

A palavra plástico tem origem no grego plastikos, que significa moldáveis, uma característica essencial destes materiais. Os plásticos são materiais constituídos por longas cadeias de moléculas chamadas polímeros.
As descobertas de materiais plásticos:
Reaumur, físico e naturalista francês, que viveu entre l683 e 1757, criador de um termômetro que leva o seu nome e autor de uma monografia sobre “a arte de converter o ferro fundido em aço” previu com bastante antecedência que uma dia se fariam, nos laboratórios, sínteses dos materiais encontrados na natureza.
Por volta de 1840, Keller, modesto produtor de linho caseiro em Hainichen, na Saxônia, e seu amigo Heinrich Volker, igualmente humilde fabricante de papel cuja matéria-prima era os trapos recolhidos nas redondezas, partiram de caroços de cereja reduzidos a pó e criaram o papel de polpa de madeira.
Era, na realidade, a primeira realização química, prática e com aproveitamento em larga escala da celulose, atrás da qual viriam os mais potentes explosivos, os filmes fotográficos, o “rayon”, os plásticos sintéticos, as lacas e os vernizes.
A celulose é o material de que são formadas as paredes das células de todos os vegetais. É insolúvel na água, no álcool, no éter e em todos os solventes habituais de laboratório, mas se dissolve no ácido sulfúrico, numa solução amoniacal de óxido de cobre, e depois de tratada com soda cáustica, no bissulfeto de carbono.
Quimicamente é um hidrato de carbono, parente do açúcar e do amido e reagindo como um álcool. Em forma quase pura, é extraída das fibras do algodão, mas qualquer vegetal a contém: folhas de capim, cascas de árvores, bagaço de cana. Estruturalmente, a celulose é uma dessas moléculas encadeadas e polimerizadas, como a borracha natural.
A década de 1840-50 foi rica de importantes descobertas sobre a celulose. John Mercer, estampador de Blackburn, na Inglaterra, mergulhando panos de algodão num banho de soda cáustica, criou o algodão mercerizado, mais suave ao tacto e mais fácil de tingir. Assim, o algodão mercerizado foi a primeira das numerosas fibras têxteis naturais modificadas pelo homem.
Em 1846, o químico Christian Schönbein, professor na Universidade de Basiléia, tratou o algodão com ácido nítrico e produziu a nitrocelulose, ou o chamado algodão-pólvora. Tal descoberta, porém, ou se perdeu ou não foi devidamente patenteada, e sua autoria é geralmente atribuída ao inglês Alexander Parker, em 1861.
Naquele mesmo ano de 1846, o pintor Louis Nicolas Ménard, desejando obter uma substância para revestir suas telas paisagísticas de Brabizon, dissolveu o algodão-pólvora numa mistura de álcool e éter obtendo uma película de celulose lisa, dura e límpida. Tinha descoberto o colódio , básico para as lacas e vernizes e hoje tão largamente usado.
O Celulóide
As primeira notícias que se tem a respeito da criação do celulóide, que só parcialmente é um material sintético, nos vêm da França, de estudos levados a cabo por H. Braconnete, em 1833. Registram-se também as experiências de Schönbein, na Alemanha em 1845. Mas quem patenteou o novo artigo, em 1865, resguardando os solventes e plastificantes da chamada nitrocelulose, foi um impressor de Albany, Nova York, de nome John Wesley Hyatt, que com sua descoberta ganhou a medalha “Perkin”, conferida pela “British Society of Chemical Industry”.
Hyatt e seu irmão Isaías obtiveram o celulóide produzindo um caldo de duas partes de nitrato de celulose e uma parte de cânfora, gelatinizando depois a mistura sob pressão, na presença de solventes. Dizem os pesquisadores, comentando tal descoberta, não compreendem como Hyatt e o seu irmão sobreviveram às experiências a que submeteram a nitrocelulose.
Alexander Parker, Daniel Spill e outros, mais conscientes da explosividade da mistura, não se atreveram a fazê-lo. Daí Hyatt, que não era um químico, vir a tornar-se o pai da celulóide – um sintético mestiçado, digamos assim – e também o pioneiro da sua industrialização em larga escala.
Por que o fizeram? Para ganhar um prêmio então instituído nos Estados Unidos, de 10 mil dólares, para quem inventasse uma substância capaz de substituir o marfim dos elefantes para bolas de bilhar. Hyatt não ganhou o prêmio, mas ganhou muito mais com a produção do celulóide – Se tornando o arauto da Era Plástica.
A Caseína
Já em 1871, o ilustre químico Adolf von Baeyer, famoso pela síntese do anil, investigara as reações de diferentes fenóis e aldeídos, membros de dois grupos que contêm os nossos conhecidos desinfetantes, mas as abandonara, pois formavam substâncias alcatroadas que endureciam em massas resinosas insolúveis. Em torno de 1890, o Dr. Adolf Spitteler, de Hamburgo, vertendo aldeído fórmico na coalhada do leite, obteve um “quadro negro” de cor branca que lhe fora encomendado. Era o primeiro plástico derivado da caseína, que logo teve imediato aproveitamento na indústria de botões.
O verdadeiro plástico
As resinas fenólicas – ou fenoplásticos – constituem a primeira família, na genealogia das resinas sintéticas.
Por volta de 1870, Leo Hendrik Baekeland, químico e físico belga laureado em quatro universidades de seu país, que chegou aos Estados Unidos no começo do nosso século, criou um papel fotográfico chamado “Velox”, sensível à luz artificial, e cujos direitos vendeu, por um milhão de dólares, a George Eastman, criador da Kodak.
Ora, além de cientista, Baekeland, como vimos, tinha muito tino comercial. Leu e releu tudo quanto havia sobre fenóis e aldeídos. Estava convencido de que o caminho para se descobrir uma goma-laca sintética, com possibilidades comerciais, era a reação do fenol e do aldeído fórmico, ambos abundantes e baratos.
Repetiu todas as experiências já conhecidas, com os mesmos resultados desastrosos, formando substâncias alcotroadas, sujas e intratáveis, resistentes a todos os solúveis. Baekeland sabia que todo o segredo se resumia em interromper no instante exato a polimerização (processo pelo qual as pequenas moléculas se engancham como “clips” umas nas outras para formar uma molécula gigante, como já explicamos). Tentou todos os solventes possíveis, juntou à miscela ácidos e álcalis, mas ora obtinha um produto pétreo, ora uma massa esponjosa...
Um dia, deu-lhe um “estalo”. Bem, se o fenol e o aldeído fórmico geravam uma substância tão rija, por que não pesquisar essa virtude, que lhe vinha parecendo um defeito? Deixou de pensar na goma-laca e pôs-se a pesquisar uma resina que pudesse ser fundida e modelada, que fosse imutável no contorno e na substância, enfim, um material que pudesse substituir o marfim dos elefantes nas bolas de bilhar!
Agora, ao invés de empregar meios de retardar a polimerização, Baekeland buscou como apressá-la. Lançou mão do calor. Numa autoclave, a 200 graus C, obteve, afinal, uma massa esférica, cor de âmbar, cuja superfície já era uma impressão exata, em negativo, do fundo da autoclave, inclusive as junturas e as cabeças dos parafusos.
Estava criada a baquelite – oriunda do seu nome – que, posteriormente, bastante aperfeiçoada, deu origem a objetos dos mais diversos, inclusive as sonhadas bolas de bilhar. A baquelite foi o primeiro plástico real e inteiramente sintético.
Alexander Parker, Químico e inventor inglês nascido em Birmingham, West Midlands, foi quem patenteou a invenção em 1855 a xiloniteou parkesine – mas tarde conhecido no Brasil como baquelite, uma espécie de celulóide e primeiro material plástico sintético, resultante da mistura de nitrocelulose com cânfora, na presença do álcool, cujo processo que foi apresentado na Segunda Grande Exposição de Londres, em Birmingham (1862).
Era um tipo de material orgânico à base de celulose, que ele chamou de parkesina. Quando aquecido, ele podia ser moldado das mais diferentes formas. Aí, era só esperar a mistura esfriar, e o plástico endurecia na forma desejada.
A parquesina foi uma importante invenção, pois podia ser transparente, na sua forma de celulóide, como provou seu desempenho no início do cinema e nos primeiros pára-brisas de automóveis. Mas estava ainda a um passo de ser um plástico genuinamente manufaturado. Fundou a Parkesine Company, estabelecida na Hackney Wick, em Londres (1866) para fabricação da parquesina, mas a companhia não teve sucesso e foi liquidada pouco tempo depois (1868). Na verdade, conforme inventado, ainda era uma modificação das cadeias de celulose naturais, mais do que o resultado de verdadeira polimerização.
A baquelite é uma resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor, que foi o primeiro produto plástico. Trata-se do polioxibenzimetilenglicolanhidrido, ou seja, é a junção dofenol com o formaldeído (aldeído fórmico), formando um polímero chamado polifenol.
Foi inventada cerca de 1909 pelo Dr. Leo H. Baekeland, químico americano de origem belga, que empreendeu suas pesquisas entre 1907 a 1909 e criou, em 1910, a General Bakelite Company para a exploração industrial de suas descobertas. É formada pela combinação por polimerização defenol (C6H5OH) e formaldeído ou aldeido fórmico (HCHO), produtos sintéticos, sob calor e pressão. Rádios, telefones e artigos eléctricos como interruptores e casquilhos de lâmpadas eram formados por baquelite por causa das propriedades de resistência ao calor e isolamento. É resistente ao calor, infusível, forte, arde lentamente, podendo ser laminado e moldado na fase inicial da sua manufactura, de baixo custo e podendo ser incorporado em vernizes e lacas
Os investidores que apoiaram sua idéia logo descobriram que a produção do plástico saía bem mais cara do que imaginavam. Foi só alguns anos depois de sua invenção, que Berthelot polimerizou o estireno (1866) e iniciou outro material que teve grandes conseqüências na indústria da construção, embora não como material para vidraças. Morreu em Londres (29.06.1890) e na virada do século, a tecnologia dos plásticos começou a acelerar-se.
Foi só 20 anos depois que o plástico se popularizou, com a descoberta da baquelita.
Assim (1907) Leo Baekeland, químico belga trabalhando em pesquisas sobre plásticos nos Estados Unidos, descobriu como controlar a reação que deu origem ao fenol formaldeído, conhecido desde o século anterior (1872), que recebeu o nome de baquelita, em homenagem ao seu criador. Ele descobriu, quase sem querer, um tipo de cola artificial que vira plástico. Depois disso, a baquelita tomou o lugar de outros materiais mais caros, e promoveu uma invasão do plástico nas nossas vidas. O plástico foi uma invenção genial e hoje em dia está em toda parte, porque é um material leve, limpo e inquebrável, embora seja um dos maiores problemas ambientais do fim do século XX, no planeta, por ser, na sua maioria, não biodegradável.
O cloreto de polivinillo, ou PVC, se obtém através da polimerização do cloreto de vinilo. Este monômero foi sintetizado pela primeira vez em 1835, pelo químico francês Regnault, que não lhe deu importância. Foi o químico Baumann, em 1872, quem pôs em destaque a tendência do cloreto de vinilo a polimerizar-se sob a ação da luz solar, transformando-se num termoplástico. Estas descobertas, porém, não levaram o PVC a ser industrializado.
A década de 1950 também estabelece o início da atividade petroquímica no Brasil.
Dentre os vários fatores que contribuíram para aquele desenvolvimento, nestes últimos vinte e cinco anos, figura prioritariamente o aprofundamento da teoria da química macromolecular, novos métodos de pesquisa, análise e ensaio, que permitiram a formulação das tarefas do químico com muito maior precisão, e também o progresso na construção de equipamentos de transformação que, por sua vez, possibilitaram a produção racional de grandes quantidades de produtos uniformes.
Em matéria de equipamentos, a indústria dos plásticos está bastante adiantada, podendo-se até dizer que o chamado obsoletismo neste setor ocorre de ano para ano. Eles existem em número crescente, de várias procedências, altamente sofisticados. Prensas e injetores moldam, em alguns segundos, peças de grandes dimensões, complexas e com muitos quilos de peso. Além do progresso puramente tecnológico, é notável o aperfeiçoamento dos controles eletrônicos e de computadores. As injetoras mais modernas são equipadas com sistema de auto ajustagem, seleção e controle de qualidade, orientados por unidades de computadores.
Durante as décadas de 1920 e 1930, ocorreu o desenvolvimento de métodos de fabricação e uso de olefinas (eteno, propeno e buteno).
Durante as décadas de 1940 e 1950, a atividade petroquímica foi bastante expandida, em função da Segunda Guerra Mundial, e a indústria de refino de petróleo sofreu grande desenvolvimento.
Em 1962 inaugurou-se a fábrica de sintéticos da Petrobrás, à base de butadieno em parte importado.
Em 1965 o governo excluiu a petroquímica do monopólio estatal e, em 1967, criou a Petroquisa, subsidiária da Petrobrás, para associar-se à iniciativa privada
Em 1967 a Petrobrás inaugurou sua unidade de butadieno.
A indústria petroquímica brasileira foi instalada no regime de capital tripartite: 33% da Petrobrás, por intermédio da Petroquisa, 33% de capital nacional e 33% de capital estrangeiro. Com a privatização, na década de 1990, reduziu-se a muito a participação da Petroquisa, que chega a ser nula em indústrias que atraíram o interesse do capital privado.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Petrobras assina contrato para construção de navios
A contratação inicial é de nove navios por um período de 15 anos e as embarcações serão construídas no Brasil por EBNs, com previsão de entrar em operação entre 2011 e 2014.
São três navios para transporte de bunker (combustível marítimo) de aproximadamente 4.500 TPB (Toneladas de Porte Bruto), contratados à Navegação São Miguel. Outros três, também para transporte de bunker, de aproximadamente 2.500 TPB, contratados à Delima Comércio e Navegação, além de três embarcações para transporte de produtos claros, de aproximadamente 45.000 TPB, contratadas junto à Global Transporte Oceânico.
No total serão 19 os navios contratados no programa EBN, que é parte integrante de um conjunto de iniciativas da Petrobras para estimular a construção naval no Brasil. De acordo com a estatal, a ação pretende reduzir a dependência do mercado externo de fretes marítimos, gerar empregos e tem como referência parâmetros internacionais de custos e qualidade.
(Agência IN - 30 de dezembro de 2009)
Divergências contratuais entre a Petrobras e o grupo espanhol Elcano impediram que o contrato arrematado pela armadora no programa Empresas Brasileiras de Navegação (EBN) fosse assinado nesta terça-feira (29/12), contou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. "Ainda temos pendências para fechar com a Elcano. Eles poderiam estar aqui hoje. Já definimos preço, mas temos algumas divergências em relação a parte do contrato", disse durante cerimônia para assinatura de contratos com as empresas Global Transporte Oceânico, Delima Comércio e Navegação, e Navegação São Miguel.
O Grupo Elcano, que recentemente assumiu o Estaleiro Itajaí (SC), arrematou na concorrência construção e afretamento por 15 anos de três gaseiros pressurizados com 7.000 m³ de capacidade. Esta não é a primeira vez que a Petrobras encontra dificuldades para fechar um negócio com o grupo. A empresa foi vencedora da concorrência do Promef 1 que previa a construção de outros três gaseiros, mas acabou abrindo mão das embarcações.
A Petrobras fechou hoje o afretamento de nove embarcações, que serão construídas no Brasil e terão tripulação brasileira. Costa não quis revelar a taxa diária do afretamento. A Global construirá três navios para transporte de produtos claros com capacidade para 45.000 t. Delima e São Miguel construirão, cada uma, três navios para o transporte de bunker, tendo as embarcações capacidade para 2.500 t e 4.500 t, respectivamente.
O EBN prevê ainda a contratação de cinco novos petroleiros para transporte de derivados escuros, sendo três com capacidade para 45 mil t e dois para 30 mil t, e dois navios para transporte de derivados claros com capacidade para dois para 30.000 t. A Petrobras julgou os preços apresentados na concorrência excessivos e decidiu negociar com as empresas participantes da concorrência melhor preço pelos lotes. Costa não revelou o nome das empresas que estão negociando, mas o Fundo de Marinha Mercante já aprovou prioridade para a construção de seis navios do programa pela Log-In, que tem a mineradora Vale como acionista.
O diretor da Petrobras voltou a afirmar que a estatal deve lançar novas etapas do Promef e da EBN. Ele também não detalhou a quantidade de embarcações que serão licitadas e prefeiru não revelar um prazo para as novas concorrências. "Certamente, com a demanda que será gerada por conta do pré-sal, vamos precisar de novas embarcações para além de 2014", concluiu Costa.
(Portal Energia Hoje - 29 de dezembro de 2009)
domingo, 15 de novembro de 2009
O Gás Natural

O gás natural é um combustível fóssil de ampla utilização mundial.
Os consumidores de gás natural não tem necessidade de armazená-lo uma vez que ele é consumido na proporção em que é retirado do gasoduto que o supre. Quanto aos fornecedores o armazenamento, quando necessário, é feito em antigos reservatórios de petróleo ou gás natural já esgotados e domos de sal. O armazenamento sob forma criogênica GNL – gás natural liqüefeito a pressão atmosférica e temperatura de –162 °C, é pouco utilizada face aos altos custos para sua liquefação e revaporização.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Venezuela dará US$ 300 mi como 1º aporte de refinaria em PE
Venezuela dará US$ 300 mi como 1º aporte de refinaria em PE
O ministro de Energia da Venezuela, Rafael Ramirez, afirmou nesta terça-feira que a estatal de petróleo venezuelana, PDVSA, vai pagar em 30 dias US$ 300 milhões como aporte inicial na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
A Petrobras e a PDVSA fecharam um acordo na semana passada, após anos de conversas, para construir e operar conjuntamente a refinaria que terá capacidade para 230 mil barris por dia e vai processar petróleo brasileiro e venezuelano. A pedra fundamental da unidade foi lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.
A obra foi iniciada pela Petrobras em 2007, enquanto as duas estatais negociavam as condições do acordo. O valor da terraplanagem encomendada pela Petrobras para a refinaria está sendo objeto da CPI da Petrobras, aberta no Congresso em agosto deste ano.
No início de outubro, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, havia informado que para entrar no projeto a PDVSA teria que ressarcir a estatal brasileira em US$ 400 milhões pelas obras já realizadas. A refinaria Abreu e Lima tem previsão de entrar em operação em 2011 e custo total estimado em US$ 12 bilhões, que serão proporcionais à fatia de cada empresa na refinaria. A Petrobras terá 60% e a PDVSA, 40%.
A unidade foi objeto de conversas entre os dois países desde o início do governo Lula, em 2003, e era atrelada inicialmente a um projeto de exploração da Petrobras de uma bacia na faixa petrolífera do Orinoco, na Venezuela.
O petroléo que será refinado na unidade virá de Marlim, na bacia de Campos, e Carabobo, na Venezuela.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Mais sobre o Pré-sal
Árabes e chineses cobiçam o pré-sal
Correio Braziliense, Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
A exploração de petróleo em águas brasileiras ultraprofundas é uma atividade que interessa a Arábia Saudita e a China, disse ontem a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o seminário Pré-sal e o futuro do Brasil, promovido pelo Correio Braziliense e Estado de Minas. “Eles (os países) querem saber as regras do jogo”, afirmou a ministra, em referência à regulamentação do processo de extração no pré-sal. A disposição de gigantes do setor petrolífero — a Arábia Saudita é líder absoluta em produção, e a China representa o terceiro maior mercado consumidor — em explorar as jazidas brasileiras aumenta a relevância do marco regulatório. Dilma Rousseff asseverou a necessidade de se definir os termos legais e defendeu também a criação de um Fundo Social, como forma de distribuição dos rendimentos para todos os estados da Federação. Um dos participantes do encontro, o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, considerou uma vantagem a empresa ser a única operadora do pré-sal, pois esse modelo representa uma redução de custos. O seminário termina hoje.
Árabes e chineses interessados no pré-sal
Maiores produtores mundiais de petróleo confirmaram ao governo a intenção de participar da exploração nas jazidas descobertas no país
# Karla Mendes
Graziela Reis
Breno Fortes/CB/D.A Press
Os maiores produtores de petróleo do mundo estão de olho no pré-sal brasileiro. A Arábia Saudita, líder absoluta na produção mundial, já demonstrou interesse para o governo brasileiro de explorar a nova riqueza, disse ontem a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao participar da abertura do seminário Pré-sal e o futuro do Brasil, promovido pelo Correio Braziliense e Estado de Minas. A China, terceiro maior mercado consumidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Japão, também está interessada em participar do processo de extração do petróleo em águas ultraprofundas do litoral brasileiro. “Eles (os países) querem saber as regras do jogo (as regras de exploração)”, afirmou a ministra.
As descobertas do pré-sal são consideradas um divisor de águas do ponto de vista da maior visibilidade e da atração de novos investimentos estrangeiros ao Brasil. Dilma ressaltou que a nova realidade ficou evidente no número de inscrições para o último leilão de licitação de blocos de exploração sob o regime de concessão. “Se pegarmos a lista, ela é completamente diferente da anterior, porque naquele momento já se sabia que tinha o pré-sal”, destacou. O seminário Pré-Sal e o futuro do Brasil recebeu inscrições de representantes de 10 embaixadas (Rússia, Colômbia, Bolívia, Tailândia, Jordânia, Gana, Sérvia, Croácia, Nigéria e Paraguai). Também houve interesse de representantes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe.
Partilha
Diante da grandiosidade das novas jazidas e do explícito interesse mundial em relação à nova riqueza, a ministra Dilma destacou a necessidade de se definir rapidamente as regras do pré-sal, tendo como “espinha dorsal” o sistema de partilha — em que a União é a dona do petróleo, e não as empresas que estão participando do consórcio. Dilma também enfatizou a importância da criação do Fundo Social como forma de distribuição da renda do pré-sal para todo o povo brasileiro e a fim de evitar uma enxurrada de dólares no país, o que desestimularia a indústria nacional.
Com o argumento, a ministra diminiu ainda importância da discussão sobre distribuição de royalties. “A questão do royalty não ser a riqueza fundamental não é uma questão que vai mudar. Se for modelo de partilha, o grosso do recurso, que é dos 190 milhões de brasileiros, dos 5.561 municípios e dos 27 estados, é a renda”, disse. “A maior parte dos recursos não é o royalty. Hoje é, porque no modelo de concesssão paga-se muito pouco da renda do petróleo. No caso da partilha, não”, reforçou.
Abertura
O presidente dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa, abriu os debates e desenhou cenários favoráveis para que o país torne-se a próxima potência do petróleo. Costa defendeu o regime de partilha, a não privatização dos poços e o uso dos recursos do pré-sal no desenvolvimento, principalmente da Educação. “O petróleo é patrimônio dos brasileiros, não se privatiza. Mais de 80% das reservas mundiais pertencem aos governos. O Brasil descobriu o pré-sal em situação privilegiada. Diferentemente da maior parte dos países produtores, temos economia diversificada e dinâmica”, disse. (Colaborou Victor Martins)
O pré-sal, por si só, não assegura nada. É necessário vontade política para transfomar essa riqueza natural em riqueza ambiental, social e humana”
O royalty é uma parte marginal da renda. A questão fundamental é o que fica com a União e o que fica com a empresa”
O Brasil não quer e não vai se transformar em exportador de óleo bruto”
Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil
O que é preciso saber
O que o marco regulatório do pré-sal pretende evitar
# A maldição do petróleo
Grande geração de riqueza que contrasta com forte pobreza em países produtores
# A doença holandesa
Exportação apenas do petróleo bruto sem a aposta na agregação de valor que acaba valorizando o dólar, desvalorizando a moeda local, levando à quebra da indústria e também gerando pobreza no país produtor
Diretrizes básicas do marco regulatório
1 – O petróleo e o gás natural pertencem ao Brasil, ao povo e ao Estado. Por isso o modelo exploratório tem que levar em conta que há um baixo risco exploratório acompanhado por alta rentabilidade. Tal condição leva à possibilidade de maior reversão de recursos gerados pela jazida para a União;
2 – O Brasil não quer e não vai se transformar em exportador de óleo bruto;
3 – Não é possível deslumbrar, ou seja, sair gastando essa riqueza em qualquer coisa. O Brasil vai sair da pobreza e o pré-sal pode permitir que essa saída seja antecipada e que seja assegurado aos brasileiros algo fundamental: educação de altíssima qualidade. Transformar riqueza mineral em riqueza social e humana
Bilhete premiado
# Vantagens do Brasil frente ao mercado internacional de petróleo
- Grande reserva (há quem diga que o pré-sal pode ter 30 bilhões, 50 bilhões e até 100 bilhões de barris de petróleo)
- Mercado consumidor
- Economia sofisticada
- Tecnologia para exploração
- País democrático, que respeita contratos
Para onde deve ir o dinheiro do pré-sal?
- Combate da pobreza
- Educação
- Tecnologia / inovação
- Cultura
- Meio ambiente
Pimentel: modelo sob observação
O modelo de partilha previsto nos quatro projetos de lei do marco regulatório, que serão apreciados no Congresso até 10 de novembro, deve ser observado de perto por todo o país, na opinião do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT/MG). Ele lembrou que a partilha prevista pelo governo vai trazer benefícios para todos os estados. Pimentel acredita, inclusive, que o marco regulatório pode servir de exemplo para a exploração de diversos outros tipos de minérios.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Nacionalização da GM, o carro elétrico e o futuro do Brasil
Valor Econômico
Nacionalização da GM, o carro elétrico e o futuro do Brasil
Gustavo A. G. dos Santos e Rodrigo Medeiros
Carro elétrico terá impacto profundo nas exportações brasileiras, muito dependentes de uma em breve anacrônica cadeia metal-mecânica
A crise financeira levou a GM à concordata, desmembramento e nacionalização. A estatização sempre foi tabu nos EUA. Para entendê-la, é preciso compreender a importância do setor.
Os setores metal-mecânico, químico e eletroeletrônico respondem por algo entre 55% e 75% das exportações dos países desenvolvidos e tigres asiáticos e mais de dois terços das patentes industriais. Chamamos esses setores de indústrias centrais em artigo recente publicado na revista "Custo Brasil", em março.
As indústrias centrais constituem a base das inovações e da competitividade das nações desenvolvidas, cujos gastos em P&D respondem por 70% dos globais. Quem deseja se tornar desenvolvido, precisa estar presente competitivamente nessas indústrias.
A indústria automobilística foi a vanguarda da indústria e da difusão do "way of life" americano. Mas não é coisa do passado. Ela é hoje mais importante que há 40 anos. Entre as indústrias centrais, a metal-mecânica se destaca. E nela, a indústria automotiva é o carro-chefe, e continua sendo considerada um passaporte para o Primeiro Mundo. JK foi um estadista, entre outras razões, por ter percebido isso. Mas ao contrário de todas as outras grandes nações, o Brasil não buscou ter sua própria marca.
Após a Segunda Guerra, o Japão era um país destruído. No início da década de 50, grupos de engenheiros e técnicos da Toyota viajaram para os EUA com o intuito de aprender a produzir automóveis competitivos. O jogo já era global. Ao visitarem as instalações da Ford perceberam que não teriam condições de vencer adotando o fordismo. Assim, com forte apoio do governo, criaram seu próprio jeito de produzir. Uma geração depois, a administração Reagan imporia cotas de importações sobre o Sistema Toyota de Produção. Combinando automação de baixo custo com trabalhador multifuncional, a Toyota revolucionou a indústria mundial.
No início da década de 60, o Produto Nacional Bruto (PNB) per capita sul-coreano era menor do que o do Sudão e não ultrapassava 33% do mexicano. A rápida industrialização da Coreia do Sul derivou em grande parte da imitação (engenharia reversa). Como no Japão, as empresas coreanas dependeram das diretrizes governamentais. Seu governo também colocou a indústria automobilística como prioridade. Hyundai e Kia são referências hoje na indústria automobilística mundial. A Kia atualmente se faz presente em mais de 170 países. Essa empresa foi a primeira fabricante de veículos sul-coreana e a sua primeira exportadora de automóveis. Em 1986, a Hyundai iniciou a exportação para os EUA. Somente a partir de 1991 apresentou o primeiro motor de fabricação própria. Com uma imagem inicialmente associada à má qualidade, a montadora decidiu investir em qualidade e design. Os esforços da Hyundai foram premiados com um dos mais prestigiados prêmios de design e qualidade da indústria.
A indiana Tata Motors possui, desde 2005, uma aliança estratégica com a Fiat. Através de subsidiárias e companhias associadas, a Tata opera na Grã-Bretanha, na Coreia do Sul, na Tailândia e na Espanha. Destaca-se também uma joint venture com a empresa brasileira Marcopolo, constituída a partir de 2006.
As empresas chinesas começaram a fazer carros nos anos 90 e até recentemente não exportavam. Hoje, com poucos anos de vida, já estão na vanguarda em muitas tecnologias automotivas. A China também aposta pesadamente na indústria automobilística como o passo fundamental rumo ao desenvolvimento, sendo estatais a maioria das suas empresas.
A importância da indústria automobilística é tão grande que o Japão passou a ser considerado um país desenvolvido na época em que suas exportações de automóveis passaram a inundar os EUA. Já os EUA passaram a ser considerados em decadência, nos anos 80, quando ficou clara sua falta de competitividade neste setor.
A GM nunca se recuperou plenamente da invasão japonesa. Nem mesmo com proteção do Estado e copiando o que podia das técnicas toyotistas. No mês passado, a GM foi nacionalizada por inviabilidade de seu modelo de negócio e falta de fôlego para mudar. Mas as técnicas japonesas são como um estilingue perto do poder de destruição dos baixos custos de manufatura chineses e indianos e seu carro de US$ 2 mil.
Os custos chineses e indianos são ainda uma ameaça pequena perto do carro elétrico. Quem já abriu o capô de um carro elétrico não ficará surpreendido com essa afirmativa. São poucas peças. Não requer as caras peças de transmissão mecânica, injeção, refrigeração e lubrificação. O motor elétrico custa uma fração de um motor a combustão. Resolvido o problema da bateria - em breve -, o carro elétrico custará menos que os carros convencionais, terá custo de abastecimento muito menor, desempenho superior em torque e sem barulho. Deve ainda contar com incentivos governamentais por razões ambientais. Para complicar as coisas, os chineses estão na vanguarda, com o primeiro carro elétrico de baixo custo em operação comercial.
A indústria automobilística tal como vemos hoje estará enterrada em 15 anos. Muitas empresas sucumbirão em razão da depreciação de seus ativos. Os governos mais uma vez salvarão suas marcas nacionais, para salvar o próprio futuro. Enquanto se adaptam ao carro elétrico e aos asiáticos, serão estatais, paraestatais ou viverão às custas dos Estados.
A nova indústria automobilística ainda está para ser construída. Esta é a hora de entrar. Algumas empresas de energia brasileiras já estão fazendo testes superficiais com carros elétricos. Mas é pouco. O carro elétrico significará impactos profundos nas exportações brasileiras, muito dependentes de uma em breve anacrônica cadeia metal-mecânica. O governo precisa urgentemente de um programa para sua fabricação, o que pode ser a chance de se ter uma marca brasileira. Isso é o futuro. O ocaso da GM é uma oportunidade única em um século. A solução alemã para a filial europeia pode servir de inspiração
Gustavo A. G. dos Santo é doutor em Economia pelo IE/UFRJ e funcionário do BNDES, gustavoag.santos@gmail.com .
Rodrigo Medeiros é professor adjunto da UFES, medrodrigo@gmail.com.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Hidrovias ajudariam o país a sair da crise
O Brasil embora tenha um enorme potencial de transportes fluvial, aproveita-o muito pouco. Esse potencial se aproveitado poderia livrar o país da dependência do transporte rodoviário e ajudaria no desenvolvimento de novas regiões, no combate a crise econômica, com a redução dos custos das mercadorias transportadas e acesso a novos mercados.
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Planejamento, Gestão e Controle
Planejamento, Gestão e Controle
Por Prof. Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho
Conteúdo
Capítulo I - Introdução
Capítulo II – A economia
Capítulo III - A empresa
Capítulo IV - Planejamento
Capítulo V – Gestão
Capítulo VI - Controle e apuração
Capítulo VII – O sistema de produção da empresa
Capítulo I - Introdução
1.1- O que é planejamento e gestão?
Planejamento e gestão são as funções e ações que tenham a preocupação de organizar e coordenar o trabalho e as tarefas, subordinando-as a um objetivo previamente determinado.
O planejamento e gestão de uma empresa têm como função planejar a administração da organização, planejar custos, analisar a viabilidade de projetos, controlar orçamentos, liberar fundos para outros setores e para projetos da empresa.
1.2- As técnicas de planejamento e gestão na produção.
Em toda a atividade econômica moderna são utilizados técnicas e conhecimentos científicos para a confecção de um bom planejamento e gestão.
Capítulo II – A economia
2.1- A economia capitalista
Qualquer projeto de uma empresa, e mesmo a empresa está inserida na sociedade. As sociedades, em geral, precisam produzir e distribuir entre seus membros os vários produtos necessários para sua sobrevivência
A sociedade contemporânea, sociedade que abarca mais de 90% da população humana do planeta, é uma sociedade cuja suas relações econômicas – de produção e de distribuição – se dão em forma capitalista. As relações econômicas de conjunto constitui o que chamamos de economia
A economia do mundo atual é a economia capitalista. A economia capitalista se caracteriza principalmente por predomínio do capital como principal força econômica. É dele que se originam todas outras relações e forças econômicas e sociais importantes de nossa sociedade, tais como a relação de assalariamento, o objetivo do lucro, etc.
A economia capitalista também é chamada de economia de livre-mercado. É chamada assim, pois o funcionamento regular da economia não precisaria de uma força externa ao mercado para que houvesse produção e distribuição dos recursos e produtos. A idéia de livre-mercado consiste em que a economia seria regulada pelo mercado, isto é, empresas e consumidores, comprariam e venderiam livremente.
A economia capitalista foi precedida historicamente pela economia feudal Aquela economia dos feudos. Era a economia típica da sociedade medieval
No século XX, o mundo vivenciou em algumas partes, a chamada experiência socialista. Foi o caso da ex-URSS, leste europeu, China e Cuba. Começou a aparecer após a Primeira e Segunda Guerra e também no processo de descolonização.
A economia socialista deveria ser aquela controlada por trabalhadores, em empresas estatais e planejamento do governo. De fato essas economias não eram socialistas, apenas estavam em transição ao socialismo.
O século XX foi uma época muito instável. Vivemos várias graves crises sociais: duas guerras mundiais, uma grande depressão (1929) que durou um década, tivemos revoluções, etc. Isso tudo fez com que a população, lideres, intelectuais e economistas defendessem novas formas de organizar a economia e a sociedade.
O século XX também viu a experiência do Estado de bem-estar social, onde o Estado cuidaria na população oferecendo ao invés do mercado uma série de produtos e serviços. Como saúde e educação gratuita, previdência social, moradia e transporte barato.
Junto com o Estado de bem-estar social houve o que se chama de keynesianismo. Inspirada no economista inglês John M. Keynes. Para garantir a tranquilidade da economia deveria haver uma intervenção do Estado na própria economia. Ela seria via impostos, gasto público, criação de empresas estatais, planejamento, interferencia sobre empresas e negócios .
Nos últimos 25 anos do século XX ele passou pela experiência da ideologia e das políticas neoliberais. Elas defendiam a necessidade de que as sociedades voltassem a forma de organizar a produção anterior ao surgimento do keynesianismo e do Estado de bem-estar social, o que chamamos de liberalismo. Defenderam as privatizações, o fim de vários direitos trabalhistas e sociais, a não interferência do Estado nos negócios e no mercado, a desregulamentação, e o livro comércio internacional
Também no fim do século XX vimos surgir o fenômeno novo da Globalização. A Globalização é o aumento do comércio internacional, do papel dos organismos internacionais (FMI, OMC, etc) e o fato das várias economias precisarem cada vez mais uma das outras para produzir. A economia tornou-se “global”.
Para produzir um automóvel vários locais foram utilizados. Um carro fabricado no Brasil teve sua planta vindo da Alemanha, as máquinas vieram do Japão, as peça vindas da Argentina e África do Sul, por sua vez a matéria-prima veio da Nigéria, e será exportado para os EUA e os lucros remetidos para a Itália.
Ainda há o fenômeno do papel que a tecnologia ganhou. São os setores mais dinâmicos e lucrativos aqueles que envolvem telecomunicações, informática, biotecnologia, farmacêuticos e tecnologia de ponta em geral. É por isso que atualmente o setor mais lucrativo da indústria de petróleo é aquele ligado a exploração. Onde se emprega mais equipamentos sofisticados e pessoal com alta qualificação profissional.
2.2- O sistema econômico
Quando falamos de Capitalismo estamos falando de uma interligação entre a economia e outras esferas da vida social. “Não só de pão viverá o homem”. Quer dizer que o homem em sociedade também se organiza politicamente – “o homem é um animal político” (Aristóteles, filosofo da Grécia Antiga) – e também tem idéias, valores e cultura.
Portanto a economia se relaciona também com a política e com a cultura, formando um to do que chamamos de sistema econômico. A medida que a política e a cultura de uma sociedade são influenciada primordialmente pela economia. Mas também a economia é influenciada pela cultura e a política.
Também falamos em sistema econômico, porque a economia capitalista se relaciona os países uns com os outros, através do comércio internacional, mercado financeiro e investimento. Formando um todo articulado, um sistema.
E também, dentro de uma economia nacional, falamos do ponto-de-vista do sistema, há em seu interior uma articulação entre várias estruturas econômicas diferentes, mas interligadas e várias indústrias.
2.3- A estrutura econômica
Estrutura econômica é o conjunto de atividades econômicas realizadas e existentes em uma economia. Também dizemos estrutura as várias estruturas econômicas – isto é os setores que existem na economia.
Não confundir estrutura com setor primário, secundário e terciário, que aprendemos na escola. As estruturas econômicas referem-se a estrutura de financiamento, a estrutura industrial, a estrutura extrativista, a estrutura agro-industrial, a estrutura energia, a estrutura de transporte, etc.
2.4- O circuito econômico
A economia capitalista é um tipo economia onde os agentes econômicos atuam separadamente.
O mercado é o “espaço” onde os agentes se relacionam. É onde trocam produtos e fatores produtivos – isto é, comercializam as mercadorias. Elas trocam entre si produtos.
a) Há as empresas produtoras
b) As empresas consumidoras. Que compram e consomem produtos para produzir outros produtos;
c) os consumidores finais, que em geral são as famílias;
d) As famílias vendem fatores produtivos, como trabalho, capital, terra. E recebem por eles dinheiro sob forma de salário, juros e lucros e aluguéis.
As empresas compram mercadorias que são utilizadas para produzir outras. Temos compras das matérias-primas, insumos e peças. Temos a compra de trabalho, equipamentos, instalações e terreno, capital e empréstimos. As empresas adquirem isso através de dinheiro.
Por meio desses produtos as empresas produzem novos produtos. Que podem ser usados para produzir novos produtos ou adquiridos como produto de consumo final (principalmente pelas famílias).
Na venda as empresas recebem dinheiro, que irá permitir comprar as mercadorias intermediárias ou acumular dinheiro.
Há uma espécie de "circuito econômico", onde as mercadorias fluem, circulam, entre as empresas e as famílias. Tendo como contrapartida a cada mercadoria vendida e comprada, o respectiva entrega e recebimento de dinheiro, na quantia equivalente ao valor da mercadoria.
Nesse circuito econômico, o Estado tem um papel recebendo dinheiro e mercadoria e produzindo mercadoria. O Estado compra mercadorias – produtos de consumo final (papel, caneta, móveis, etc) e fatores (trabalhadores, máquinas, instalações). Pagando por eles.
Oferece mercadorias, que são os serviços públicos – saúde, segurança pública, etc. Recebendo por ele dinheiro sob a forma de impostos e taxas.
O Estado participa também no circuito econômico. Quando possui empresas – as empresas públicas e estatais. E porque é o Estado o único pode oferecer uma mercadoria especial que serve como representante do dinheiro – a moeda.
A regulação e preços
O funcionamento regular do sistema econômico chama-se regulação. É no processo de regulação que se determina as quantidades de produtos produzidos, a distribuição da renda e riqueza e os preços.
A dinâmica: A dinâmica pode ser regular ou irregular
A dinâmica pode ser estável ou instável
O Estado e o papel econômico
a) a moeda,
b) as políticas,
c) as leis,
d) os órgãos de controle e
e) os tributos
O Estado tem um papel na regulação determinando a partir das leis e regras padrões de produção, de comercialização e de direitos trabalhistas, fiscalizando, através dos impostos que estimulam ou desestimulam os negócios.
A moeda é uma mercadoria universalmente aceita como meio de troca, unidade de conta (via preços) e reserva de valor. Ela é imposta sua aceitação pelo Estado e somente ele pode produzi-la (emissão monetária).
A moeda é criada pelo Estado no pagamento de despesas públicas, sem a cobertura de receitas. Quando o Estado empresta dinheiro aos bancos para por sua eles emprestarem as empresas e famílias. Quando os bancos emprestam dinheiro tendo apenas como cobertura as quantias depositadas em contas correntes
O preço da moeda é a taxa de juros. O preço da moeda nacional comparada a moeda estrangeira é a taxa de câmbio.
Quem controla a taxa de juros básica da economia é o Banco Central (banco que pertence ao Estado e é responsável de ser o “banco dos bancos”).
Quem fiscaliza o Banco Central é o Conselho monetário Nacional.
Através de políticas públicas o Governo – principal órgão do Estado – intervém na economia. As políticas são ações do Estado.
Servem para estimular ou desestimular certas características presentes ou ausentes no mercado.
Através das leis criam-se normas, regras pelo qual as empresas devem agir e se comportar no exercício dos negócios. Temos a legislação trabalhista, a ambiental, a do consumidor, normas técnicas, etc. Se as empresas ou pessoas violarem elas estão sujeitas a punições ou mesmo proibição de continuar atuar.
O Estado cria órgãos para controlar e fiscalizar as empresas. Há órgãos de fiscalização e outros de regulação, que cuidam para manter o mercado funcionando de maneira regular.
A partir das privatizações dos anos 1990 no Brasil o papel de interferência do Estado na regulação, que até então era feita pelas empresas estatais ou por intervenção direta do Governo, passou a ser feita pelas chamadas agências de regulação. Temos portanto a ANTT , ANATEL, ANTAQ, ANS, ANVISA, etc. E no setor de petróleo temos a ANP.
O Estado pode interferir também na regulação através dos tributos. Os tributos são de três tipos: impostos, taxas e contribuições. Pelo uso de tributos, além do recolhimento de receitas ao Estado, pode-se estimular ou não alguns tipos de negócios.
Impostos: são receitas do Estado resultante de um valor acrescida no preço de mercado de uma mercadoria vendida por fim uma empresa ao consumidor. Podem ser diretas ou indiretas. Podem ser num valor único ou ter ser valor proporcionalmente ao preço final. As taxas são um tributo paga especificamente por um serviço que o Estado presta. As contribuições são tributos que as empresas e as famílias recolhem ao Estado para funções específicas que exerce.
2.7- Preços
Preço é o mecanismo de determinação das quantidades entre as trocas das mercadorias. Ele é medido em moeda. O preço é portanto o valor em unidades monetárias. O preço expressa a quantidade de valor necessária para produzir
2.8- A lei da oferta e procura
É a lei econômica no qual o preço é determinado pela relação entre a quantidade demandada com a quantidade ofertada de um produto no mercado.
Acredita-se que por essa lei os preços sempre ou tenderam a corresponder ao seu valor.
O preço de equilíbrio seria um ponto de equilíbrio onde as curvas se cruzariam.
Nesse ponto as empresas e o mercado como um todo estariam operando eficientemente e maximizando o lucro. Um aumento na quantidade, ou deslocamento para direita da curva de oferta, muda o ponto de equilíbrio de preço, deslocando preço para baixo
Sob qualquer desequilíbrio haveria uma tendência ou uma força que atraria o preço novamente para o ponto de equilíbrio. A idéia supõe que apesar de em ocasiões especiais ou em conjuntural variadas os preços da mercadoria poderia variar mas oscilaria ao redor de um “preço natural”, que corresponderia ao valor da mercadoria.
O preço natural seria o preço histórico da mercadoria. O preço que o nível tecnológico médio do mercado pode produzir. Um aumento do preço provocaria um aumento de lucro. Esse aumento de lucro atraria a entrada no negócio de novas empresas. Mas com mais empresas, aumentaria a oferta de produtos numa quantidade que obrigaria em seguida a redução do preço.
2.9- O valor econômico
Toda mercadoria tem um valor. O conceito de "valor" é diferente do conceito de preço. Em geral pensa-se preço como valor em unidades de moeda.
Valor é qualidade própria da mercadoria em comparação a outra. Pensa-se valor como “valor contra valor” e “qual valor as pessoas dão a isso”.
O primeiro quer dizer, comparando ou confrontando uma mercadoria com outra. Quanto uma mercadoria vale é quanto ela compra de outra mercadoria – esta aí a idéia de valor de troca. O segundo é está associado a idéia de utilidade e valor de uso.
Quanto é útil e para o consumidor a produção e o consumo daquela mercadoria. Por outro lado também posso pensar no quanto é util para o produtor a produção daquela mercadoria.
Há obviamente mercadoria mais úteis e mercadorias menos úteis. Existe portanto uma gradação de utilidade, logo temos valor de uso da mercadoria.
Em ambos os casos o valor é sempre avaliado no quanto de trabalho. Quanto de trabalho foi empregado ali na confecção da mercadoria, quanto de trabalho posso trocar ou adquirir, quanto de trabalho que irá me proporcionar (ou poupar) ao consumi-lo.
As mercadoria então em geral tem seu valor em trabalho. São vendida pelo trabalho socialmente necessário em sua produção. Esse valor é medido em horas-trabalho. O preço de produção é o valor em moeda corrente.
É nesse valor que o preço de mercado oscilará, ora maior ora menor que o preço de produção.
Quando o preço de mercado foi maior que preço de produção haverá à empresa um sobre-lucro (lucro maior que o normal). Quando o preço foi menor que o preço de produção haverá a situação de prejuízo.
A concorrência de mercado faz com que os preços de mercado das mercadorias entre as várias empresas convergiam para uma preço comum. Esse preço corresponde ao preço de produção das empresas com características médias no mercado. Que tenham a hora-trabalho no patamar típico característico daquele tipo de negócio.
A hora-trabalho de uma empresa é definida pelo tipo de tecnologia empregada, o layout da planta da fábrica, a logística, a organização da produção ou mesmo da própria empresa, as condições da estrutura econômica e a conjuntura econômica do momento.
A hora-trabalho tem a medição próxima da hora-homem trabalhada
podemos chamar a hora-trabalho (típica do negócio) contida numa mercadoria de trabalho socialmente necessário.
As empresas sempre procuram operar com hora-trabalho abaixo da média do mercado para puder obter sobre-lucro, ganhando com o diferencial entre seu preço de produção com o preço de mercado do setor.
Para isso precisam sempre investir em tecnologia e arranjo produtivo moderno na empresa. Ou devem prever as variações conjunturais ou estruturais no mercado.
Mas investimento, modernizações ou análises de mercado custam muito dinheiro as empresas.
Por isso que nem todas e nem sempre elas fazem isso o tempo todo.
E as vezes apesar disso tudo elas não conseguem se antecipar a dinâmica da economia. O que resulta em um gasto inútil ou com pouco retorno.
2.10- O motor econômico: o lucro
O lucro é pelo que se move e pelo para que as empresas se movem. As variações no lucro é que fazem as empresas operarem, contratarem, venderem ou não. As próprias mudanças no patamar de lucro fazem com que as empresas se mexam. Por sua vez ao se “mexerem” elas modificam os patamares de lucro.
O excedente e a mais-valia
O excedente é a diferença entre os custos e as receitas. Entre aquilo que foi gasto para produzir e aquilo foi gerado pela produção e obtido com a venda. A mais-valia é o excedente medido em termos de valor. Tanto pode ser medido em dinheiro como hora-trabalho.
O empresário
É aquele que organiza a produção. Monta a empresa e a lidera. Arca com os prejuízos e recebe os lucros da empresa.
Em geral é o proprietário da empresa, ao ter sido aquele que “adiantou a produção” – isto é, aquele que entrou com o capital para montagem da empresa, e através desse capital que o trabalhador pode produzir as mercadorias.
O papel dos bancos e do mercado financeiro
Os bancos e o mercado financeiro têm o papel importante na economia e para as empresas. Os bancos têm o papel de adiantar o capital circulante (p.ex., capital de giro) ou emprestar a juros para aquisição de capital fixo para as empresas.
O mercado financeiro são os negócios que financiam as empresas produtivas.
É composto mercado aberto: bolsas de valores e bolsa de mercadorias e futuros.
Bolsa de valores negocia ações das empresas. As ações são títulos que correspondem a participação em parcela dos lucros – o chamado dividendo.
As ações são emitidas pelas empresas como forma de levantar capital para investimentos dando como contrapartida direito os dividendos aos portadores de ação.
Quem tem ações ordinárias ainda tem direito a participar nas decisões e na eleição da diretoria da empresa. O acionista majoritário na prática é que mais manda na empresa.
As ações não apenas valem pelos dividendos que prometem mas também pela especulação em bolsa.
Bolsa de mercadoria e futuros negocia as mercadorias hoje ainda que elas não tenham sido produzidas. Oferece aos compradores a possibilidade de aquisição garantida do bem. Em geral, negocia-se nesse tipo de mercado apenas commodities (bens primários que são usados como matéria-prima).
Petróleo é cotado em bolsa de futuros.
Crise econômica
Em algumas circunstâncias a economia não vai bem. As vendas diminuem e a maioria das empresas ficam em prejuízo.
Ciclos econômicos
Na economia alternam-se períodos de prosperidade e períodos de crise. As empresas precisam se precaver as viradas. Antecipar-se a prosperidade para saber aproveitá-la bem e antecipar-se a crise para não sofrer com essa situação.
Conjuntura econômica
É a situação momentânea em que se encontra a economia.
O longo prazo: É o período futuro. É o que deveria orientar a atuação da empresa.
Risco e Incerteza
Risco são as possibilidades que o negócio planejado não dê certo ou não corra como o previsto. Ele é medível e quantificável.
A incerteza é a impossibilidade de se ter certeza futuro. Como será o cenário desse futuro por onde a empresa atuará. Quanto mais distante o futuro, isto é, quanto mais ao longo prazo, mais difícil será para saber sobre ou prever o futuro, logo maior a incerteza.
O empresário espera que ao correr com o risco receba lucros que compense mais que proporcionalmente. Portanto deseja que os lucros sejam sempre maiores que os riscos. E quando é aí decide investir.
Por outro lado, o empresário tem grande aversão à incerteza. A incerteza não se mede, mas sabe-se quando é maior e menor. Quando o cenário é mais claro menor a incerteza.
Uma forma para reduzir a incerteza para o empresário e o gestor é a reprodução das práticas que deram certo ou estabelecimento de rotinas para aqueles que a utilizem saibam como agir diante de cada situação.