sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Mulher no mundo industrial - Working Women

Na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, a absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como mão-de-obra barata, inseriu definitivamente a mulher na dinâmica produtiva. Ela passou a ser obrigada a cumprir jornadas de até 17 horas de trabalho em condições insalubres e submetidas a espancamentos e humilhações, além de receber salários até 60% menores que os dos homens.

As manifestações operárias pipocaram na Europa e nos Estados Unidos, tendo como principal reivindicação a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

Em 1819, depois de um enfrentamento em que a polícia atirou contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos.
Foi também a Inglaterra o primeiro país a reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores, com a aprovação, em 1824, do direito de livre associação. Assim os sindicatos se organizaram em todo o país.
A revolução industrial incorporou o trabalho da mulher no mundo da fábrica, separou o trabalho doméstico do trabalho remunerado fora do lar.
A mulher foi incorporada subalternamente ao trabalho fabril. Em fases de ampliação da produção se incorporava a mão de obra feminina junto à masculina, nas fases de crise substituía-se o trabalho masculino pelo trabalho da mulher, porque o trabalho da mulher era mais barato.
As lutas entre homens e mulheres trabalhadoras estão presentes em todo o processo da revolução industrial. Os homens substituídos pelas mulheres na produção fabril acusavam-nas de roubarem seus postos de trabalho.
A luta contra o sistema capitalista de produção aparecia permeada pela questão de gênero. A questão de gênero colocava-se como um ponto de impasse na consciência de classe do trabalhador.
Assim, nasceu a luta das mulheres por melhores condições de trabalho. Já no século XIX havia movimento de mulheres reivindicando direitos trabalhistas, igualdade de jornada de trabalho para homens e mulheres e o direito de voto.
Ao ser incorporado ao mundo do trabalho fabril a mulher passou a ter uma dupla jornada de trabalho. A ela cabia cuidar da prole, dos afazeres domésticos e também do trabalho remunerado.
As mulheres pobres sempre trabalharam. A remuneração do trabalho da mulher sempre foi inferior ao do homem. A dificuldade de cuidar da prole levou as mulheres a reivindicarem por escolas, creches e pelo direito da maternidade.
Na sociedade capitalista persistiu o argumento da diferença biológica como base para a desigualdade entre homens e mulheres.
As mulheres eram vistas como menos capazes que os homens. Na sociedade capitalista o direito de propriedade passou a ser o ponto central, assim, a origem da prole passou a ser controlada de forma mais rigorosa, levando a desenvolver uma série de restrições a sexualidade da mulher. Cada vez mais o corpo da mulher pertencia ao homem, seu marido e senhor. O adultério era crime gravíssimo, pois colocava em perigo a legitimidade da prole como herdeira da propriedade do homem.
No século XX as mulheres começaram uma luta organizada em defesa de seus direitos. A luta das mulheres contra as formas de opressão a que eram submetidas foi denominada de feminismo e a organização das mulheres em prol de melhorias na infra-estrutura social foi conhecida como movimento de mulheres.
A luta feminina também tem divisões dentro dela. Os valores morais impostos às mulheres durante muito tempo dificultaram a luta pelo direito de igualdade. As mulheres que assumiram o movimento feminista foram vistas como "mal amadas" e discriminadas pelos homens e também pelas mulheres que aceitavam o seu papel de submissas na sociedade patriarcal.


A luta feminina é uma busca de construir novos valores sociais, nova moral e nova cultura. É uma luta pela democracia, que deve nascer da igualdade entre homens e mulheres e evoluir para a igualdade entre todos os homens, suprimindo as desigualdades de classe.

Após a década de 1940 cresceu a incorporação da força de trabalho feminina no mercado de trabalho, havendo uma diversificação do tipo de ocupações assumidas pelas mulheres.
Durante a Segunda Guerra Mundial, em vias de uma rendição européia às forças alemãs, a Inglaterra teve que suportar um brutal esforço de guerra.
Com os homens na linha de frente, o país não podia parar. Assim, mulheres assumiram os postos de seus homens nas fábricas e nos estaleiros, passaram a conduzir comboios ou a operar máquinas.
No auge da indústria bélica, eram as mulheres que construíam os tanques, as armas e os aviões.
Porém, no Brasil, foi na década de 1970 que a mulher passou a ingressar de forma mais acentuada no mercado de trabalho.
A mulher ainda ocupa as atividades relacionadas aos serviços de cuidar (nos hospitais, a maioria das mulheres são enfermeiras e atendentes, são professoras, educadoras em creches), serviços domésticos (ser doméstica), comerciárias e uma pequena parcela na indústria e na agricultura.
No final dos anos 1970 surgem movimentos sindicais e movimentos feministas no Brasil. A desigualdade de classe juntou os dois sexos na luta por melhores condições de vida.
O movimento sindical começou a assumir a luta pelos direitos da mulher.
A luta pela democratização das relações de gênero persistiu e com a Constituição Federal de 1988 a mulher conquistou a igualdade jurídica.
O homem deixou de ser o chefe da família e a mulher passou a ser considerada um ser tão capaz quanto o homem.
Na década de 1990, no Brasil, a classe trabalhadora enfrentou o problema da desestruturação do mercado de trabalho, da redução do salário e da precarização do emprego.
As mulheres são as mais atingidas pela precarização do trabalho e pela gravidade da falta de investimentos em equipamentos sociais (creches, escolas, hospitais).
Embora sejam mais empregáveis que os homens, isso decorre da persistente desigualdade da remuneração do trabalho da mulher. A mulher passou a ter um nível educacional igual e às vezes até superior ao do homem, porque como enfrenta o preconceito no mundo do trabalho, ela deve se mostrar mais preparada e com maior escolarização para ocupar cargos que ainda são subalternos.
Os critérios de contratação das mulheres no mundo do trabalho estão impregnados pela imagem da mulher construída pela mídia e colocada como padrão de beleza.
O empregador ainda busca a moça de "boa aparência". Assim, as mulheres sofrem dupla pressão no mercado de trabalho, a exigência de qualificação profissional e da aparência física. O assédio sexual ainda é uma realidade para a mulher no mundo do trabalho, isso decorre da própria cultura patriarcal que foi colocando o homem como o senhor do corpo da mulher.
Apesar de tantas dificuldades as mulheres conquistaram um espaço de respeito dentro da sociedade. As relações ainda não são de igualdade e harmonia entre o gênero feminino e o masculino.
O homem ainda atribui à mulher a dupla jornada, já que o lar é sua responsabilidade, mas muitos valores sobre as mulheres já estão mudando.
O homem também está em conflito com o papel que foi construído socialmente para ele, hoje ser homem não é nada fácil, pois as mulheres passaram a exigir dele um novo comportamento que ele ainda está construindo.
A democratização efetiva da sociedade humana passa pela discussão das relações de gênero, neste sentido a luta das mulheres não está relacionada apenas aos seus interesses imediatos, mas aos interesses gerais da humanidade.
A mulher Guerreira, suave e amorosa que sempre lutou por seu espaço, foi muito bem representado na opera Tosca.

Tosca

Roma, 1800 no clima pós revolucionário: 
Os amantes Tosca, uma cantora de ópera, e Mario, um pintor, acabam entrando ocasionalmente em uma infame intriga política do poder conservador abafando a revolução.
I Ato
Angelotti, o protagonista do movimento revolucionário em Roma foi preso pelo regime da reação. Conseguiu fugir e escondeu-se em uma igreja. Por acaso o pintor Mário está trabalhando em uma pintura de altar. Mario é um simpatizante das idéias revolucionárias e pelo apoio à fuga de Angelotti acaba se envolvendo junto com Tosca que chega à igreja para visitá-lo.
A fuga foi descoberta e o Barão Scarpia, o braço direito do poder conservador, acaba entrando na igreja também perseguindo o fugitivo. Scarpia encontra indícios do envolvimento de Mario na fuga de Angelotti e está montando um jogo sujo para chegar através de Tosca e Mário ao fugitivo político.
Na mesma igreja o regime conservador mandou celebrar às pressas um solene “Te Deum” homenageando a enganosa notícia da derrota das tropas de Napoleão.
II Ato

Festejando a imaginada vitória sobre Napoleão o governo apresenta uma solene cantata, na qual a cantora Tosca participa.
Scarpia convida Tosca para encontrá-lo em seu gabinete no mesmo Palácio do Governo. Como não conseguiu achar o fugitivo, Scarpia prende Mario e manda torturá-lo na sala ao lado. Mario implora à Tosca para não entregar o esconderijo de Angelotti, mas os gritos do amante torturado amolecem aos poucos a resistência de Tosca. No meio da tortura, chega a verdadeira notícia da vitória de Napoleão. 

Espontaneamente Mario exclama Vitória! Vitória, provocando Scarpia que sentiu o fim do seu poder.
Aproveitando-se da situação, Scarpia oferece um pacto à Tosca: O preço da liberdade dos dois amantes é a entrega de Angelotti e uma noite de amor com ela.
Tosca pede uma carta de salvo-conduto e Scarpia concede, exigindo uma execução simulada com um código secreto para o comitê da execução.
Tosca aceita, mas em um momento oportuno visualiza na escrivaninha uma faca pequena e mata Scarpia.

III Ato
Em cima de uma torre do castelo os soldados preparam a execução. Mario entra, Tosca explica que ela tinha conseguido a liberdade e a execução somente será uma encenação.
Após a execução que foi verdadeira, porque Scarpia tinha enganado Tosca, ela percebe que não tem mais outra saída e prefere morrer junto com o amado se jogando das torres do castelo.


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